Ser Humano Sem Fronteiras
O dia três de setembro de 2008, dia de minha colação de grau como Tecnólogo em criação e gestão de ambientes para Internet pela Universidade Estácio de Sá, foi um dia muito especial por vários motivos, um deles, o que julgo mais importante, foi a compra de um livro que me ajudaria a passar o tempo durante os minutos que precediam uma data que julgava apenas como o atendimento a mais uma formalidade, algo sem importância.
Nunca dei muita importância a estas formalidades, principalmente às acadêmicas, cheias de rituais e cerimônias que não fazem sentido para mim. Mas, conforme as horas se aproximavam, um sentimento estranho foi tomando conta de mim. Estava concluindo um ciclo de minha vida, havia investido muito esforço, movimentado muitas capacidades, desenvolvido outras tantas e era chegado o momento de encerrar uma etapa da vida. Aproximava-se um hiato em minha vida, talvez o primeiro em anos…
Fui tomado por tamanho nervosismo que decidi perambular pelo shopping do Leblon em busca de algo para passar o tempo. Acabei entrando em uma livraria e, entre milhares de opções, um título e uma capa chamaram a minha atenção. O vendedor de Sonhos, de Augusto Cury. Acabei comprando o livro, mal sabia que seria meu suporte durante as horas que seguiriam. O livro me ajudaria a valorizar de forma correta o momento.
Quando cheguei ao local da colação, como esperado, roupa emprestada, poses forçadas para foto, profissionais agindo mecanicamente, empolgação zero. Mas algo diferente estava no ar. Acho que acabei contaminado pelo clima de expectativa dos jovens formandos e, derrepente, a única opção que tinha, já que não conhecia ninguém, era ler.
Cury traz uma abordagem diferente sobre a vida no referido livro. O vendedor de Sonhos é um homem misterioso, aparentemente profundo conhecedor da alma humana, capaz de resgatar de dentro das pessoas a vontade pela vida, não a vida comum, cheia de compromissos e rotinas, mas a vida plena de sonhos, de experimentações e novos conhecimentos.
Logo no início do livro o vendedor de sonhos fala sobre a necessidade de vírgulas em nossas vidas. Momentos em que paramos, respiramos e avaliamos. Esta informação caiu como uma bomba atômica dentro de mim. Estava começando a perceber o hiato que se apresentava para mim.
Não sei o que me pertubou mais naque dia, se a coloação de grau ou os 3 primeiros capítulos do livro que tive oportunidade de ler. O que sei é que me transformei em um novo homem naquela noite. Desejando sonhar mais, viver mais, conhecer novas pessoas, abrir novas portas, viver plenamente. Sentia que, de alguma forma, tudo havia contribido para aquela transformação e Cury tinha uma parcela de culpa no processo.
De alguma forma estava resgatando idéias e ideais que havia defendido na década passada, quando estudante do segundo grau, aventureiro e inconsequente sob alguns aspectos. Consegui transpor a parte ritualística do evento e me prendi ao valor que aquela vírgula tinha para mim. Senti-me mais seguro, confiante e agradecido.
Os dias seguintes à colação foram dias especiais. Encantado pela leitura, pela narrativa de um homem que era capaz de resgatar a alma humana, tirando-a das rotinas, das obrigações sem sentido, do pré-conceito e ajudando-as a ver o mundo sobre uma ótica mais humana.
No capítulo entitulado “A jornada”, o vendedor de sonhos propõe a um grupo de pessoas que o seguiam a construção de uma nova sociedade, a sociedade dos “seres humanos sem fronteiras”, apoiada em quatro princípios que trasncrevo a seguir.
- Acima da raça, cultura e nacionalidade. Os seres humanos estão acima das fronteiras e devem posicionar-se com o compromisso vital de proteger a espécie humana e o meio ambiente.
- Lutar contra toda forma de discriminação e apoiar toda forma de inclusão.
- Respeitar os diferentes.
- PRomover a interação entre povos de diferentes culturas e crenças.
Esta idéia de fazer parte de uma Sociedade de Seres Humanos Sem Fronteiras soou-me muito especial e conhecida, na realidade, acabei associando a proposta à proposta de Jesus Cristo, plenamente alinhada com alguns valores que trago como verdades.
O fato é que a combinação de um momento tão especial como a colação de grau, o tratamento frio e sistemático dado ao evento, a leitura do livro e diversos acontecimentos em minha vida ao longo do mês de setembro me levaram a levantar a bandeira da necessidade de vivermos a vida mais plenamente, de forma mais expontânea e alegra, livre de pré-conceitos, diferentemente do que fazemos hoje.
Acabei, por tudo isso, levantando o lema dos Seres Humanos Sem Fronteiras.


