Amanhã aconteceu algo incrível, estarei lá em minha posição contemplativa de onde observei o tempo contado pelas centenas de alvoradas no horizonte onde me vejo subitamente transportado para cá, quando o céu e a terra convergem, quando o tempo perde o sentido e sou capaz de observar em um enorme quadro atemporal o passado o presente e o futuro. Toda a minha vida em uma única imagem!
Posso reviver todos os sentimentos e emoções destas décadas de vida, que agora já nem parecem tanto tempo assim.
Reencontro fracassos, elevações do espírito e decisões equivocadas. Revivo recomeços impetuosos, sinto uma chama interna a impulsionar-me sempre.
Finalmente compreendo que a vida não acontece, trata-se de uma obra inacabada que se constrói através das vivências. Finalmente sinto-me poderosamente perspicaz, amplamente capaz de ver o passado e prever o futuro. Sinto-me em paz, inspiro e expiro, contraio e expando com o universo, sinto-me sensualmente ligado a ele, sou capaz de seduzir a todos com a enorme beleza que emana de mim.
Sou pequenino mas sinto-me profundamente encorajada a dar continuidade à obra chamada vida; tarefa crucial, intimidante, ousada, desafiadora e ao mesmo tempo alegre. Viver a vida plenamente, este o desafio de cada pensamento, de cada ação!
Eu, um pequeno jatobá de 400 metros de altura, deitado, inerte sobre o solo, sinto-me mais vivo do que nunca!!!
Vivo a convergência das contradições!
Viva a convergência das contradições!
Vivamos a convergência das contradições!
Sinto-me sábio e ao mesmo tempo procuro mais vida, mais vivências, mais aprendizados. Percebo que estou finalmente integrado à criação e sou capaz de medir meu real tamanho, pequenino como um grão de areia...
Vejo-me como uma criatura espontânea até a última folha, mas ao mesmo tempo inspiro confiança naqueles que me escolheram como parceiro de vida. Permito que a energia flua e transforme, contribuo intensamente com a construção do universo.
A criatividade corre em minhas veias. Ondas e mais ondas enlouquecidas de energias transformadoras que mantém o prumo constante da renovação. Obstinação pela perfeição, pelo belo, pelo complexamente simples.
Chamo-me ousadia. Conheço meus limites em profundidade, procuro expandi-los a cada ação, a cada pensamento a cada inovação, mas nunca sem antes certificar-me da possibilidade real de sucesso, de benefício, de manutenção da vida e de contribuição com o universo.
Abrigo o velho e o novo em cada semente que espalho ao vento. A tradição, construída a partir dos conhecimentos adquiridos com a vida e a inovação, sentimento ativo de modificar e melhorar a cada nova descoberta são exemplificados através da simplicidade nos pequenos detalhes.
Sinto-me divinamente contraditório.
Sinto-me plenamente vivo, misterioso e irresistível.
Sou uma velha sábia!!!

O Jatobá (http://www.guilherme.fraenkel.nom.br/Existologopenso/o_jatoba.php) por Guilherme Fraenkel , inspirado na idéia da velha sábia de Clarissa Pinkola Estés, está licenciado sob a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
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